Aromaterapia salva!

Fui mãe aos 19. Não sabia quase nada da vida, muito menos sobre parto e amamentação. Pra mim, foi muito natural (e no susto!) todo o processo, muito talvez porque não tínhamos acesso à internet (sim, sou dinossaura talvez...) muito talvez, por ser um pouco antissocial e não dar espaço a outras pessoas... O que facilitou, pois assim não chegavam tantos “palpites”. Acabei me poupando, sem saber...  Houve menos questionamentos, menos culpas. Descobri a pouquíssimo tempo que sofri bullying no parto, violência obstétrica e que, muito provavelmente não precisaria ter dado fórmula à minha filha com apenas uma semana de vida, 51 cm e 3,750 Kg.

Viver nos tempos de hoje, aonde a internet nos traz muita informação e em uma velocidade absurda... Pode ser maravilhoso, mas também tem seus ônus. Se você expõe seus medos e angústias, ou apenas sua rotina na rede social, podem chover conselhos e palpites e muitas vezes podem nos angustiar ainda mais, ou trazer culpa aonde não havia. As pessoas estão cada dia mais sem filtro e sem empatia.

Há algumas semanas, eu estava despretensiosamente vendo alguns stories no instagram, quando vi a Babi comentando sobre a dificuldade na amamentação, a dificuldade em beber mais água no processo, e que produção de leite não parecia satisfatória...

Ela comentou que para conseguir ingerir mais água, para uma melhor e maior produção de leite, ela fazia chá de menta, se não me engano três litros de chá por dia...

Sou aromaterapeuta. Estudo fitoterapia há anos... E aquilo pra mim, foi óbvio, fui eu a palpiteira da vez a dizer: “Babi, tenta parar com seu chá de menta por uns dias pra ver se o processo da produção e leite não melhora...”.

Bom, como expliquei a ela, não existem muitos estudos aprofundados a respeito, o que temos são alguns relatos, algumas suposições e observações de aromaterapeuta e fitoterapeutas no dia a dia.

Nesse artigo, ( https://tisserandinstitute.org/peppermint-and-breastfeeding-results-of-poll/ ) Robert Tisserand, discorre sobre o assunto.

Na literatura sobre aromaterapia é muito pouco falada e discutida essa questão de uso de óleos essenciais na amamentação, por falta mesmo de estudos mais aprofundados. Eu já li em outros blogs, sobre o uso de óleo de hortelã pimenta em mamilos com fissuras (https://www.facebook.com/laszlobrasil/posts/hortel%C3%A3-pimenta-ameniza-fissuras-mam%C3%A1rias-em-lactantesa-amamenta%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-uma-manife/2020107951393473/) mas também deu o que falar.

A questão é que sempre temos que levar em conta que as pessoas são diferentes e os óleos atuam de forma diferente em cada pessoa e cada organismo.  Tendo outros óleos mais seguros nesse momento (lactação), outras possibilidades, eu sempre evitaria o óleo de hortelã-pimenta em lactantes. Até porque, aplicar óleo nos mamilos, implicaria em intervalos maiores entre as mamadas, para haver a total absorção do óleo pela pele, e aí, quem amamenta em livre demanda, por exemplo, não tem como controlar.

Enfim, voltando à história da Babi, fiz a sugestão de que ela apenas suprimisse o chá de hortelã pimenta / menta (peppermint). E citei alguns chás que não interferem na possível supressão da produção do leite, como a erva-doce. Já que a dificuldade maior dela, era em tomar grandes quantidades de água, intercalar com o chá de erva-doce, seria uma opção.

Após três dias, ela me escreveu contando que agora o leite descia e que precisava esgotá-lo inclusive, pois a produção era tanta, que a Gigi não estava “dando conta”!

Esgotando, enchendo o estoque no freezer e a livre demanda da pequena Gigi.

A questão que gosto de pontuar sempre, é que, por serem coisas naturais, meio que inconscientemente, achamos que não fazem mal, ou que não tem influência direta em como nosso corpo funciona. É importante frisar: as ervas naturais são muito poderosas. É preciso estudar, pesquisar sobre. Não usar indiscriminadamente, e mais ainda, sempre se observar. Um “inocente chá”, pode não ser tão inocente assim. E normalmente não é mesmo! As dosagens variam, e varia de pessoa pra pessoa, de organismo pra organismo. E muitas vezes essas indicações passam de mãe pra filha, ou avó para a neta...

Se pararmos pra avaliar, que em apenas uma gota de óleo essencial, temos o equivalente a 25 ou 30 xícaras (dependendo da erva) de chá da mesma planta. Isso não é incrível?

Mas o questionamento que eu me fiz e comentei com a Babi: quantas mulheres acharam que não tinham leite suficiente, ou que não eram capazes de amamentar, simplesmente por estar usando balas com óleo essencial de hortelã, pasta de dentes com óleo essencial de hortelã, ou o uso do chá de menta... ? É isso mesmo??

O óleo de hortelã é muito utilizado na indústria alimentícia, em pastas de dentes e enxaguatórios bucais.  Não digo que apenas escovar os dentes, por exemplo, pode fazer o leite diminuir, pois a quantidade é muito pequena, mas sempre penso no efeito cumulativo de tudo. Os óleos essenciais são facilmente absorvidos na mucosa bucal, super vascularizada.  

Segundo Dominique Baudoux, no livro O grande manual da aromaterapia, cita nas contra indicações: “O mentol e a mentona apresentam riscos para bebês com menos de 30 meses e para o feto, razões pelas quais o óleo essencial de hortelã-pimenta é descartado para uso em bebês, gestante e lactante. É igualmente desaconselhado para pacientes hipertensivos, em protocolos com duração superior a 15 dias.” (pag. 356).

A ideia aqui é trazer informação, pontuar a necessidade da gente se observar, observar o corpo e as alterações, e entender que mesmo sendo natural, é preciso ter cautela. E em fases específicas da vida, como gravidez, amamentação, primeira infância, é preciso ter um cuidado extra.

A aromaterapia é uma ferramenta excelente de cura e autoconhecimento. Atua na parte emocional, na parte física e energética. Os óleos são compostos químicos riquíssimos e especiais, mas é preciso saber usar, pois na aromaterapia, menos, é sempre mais.

Mas de forma alguma, posso deixar de falar das coisas incríveis que o óleo essencial de hortelã pode fazer por nós, porque o óleo essencial de hortelã-pimenta é um óleo maravilhoso. É um excelente analgésico, anestésico, antinociceptivo, nas náuseas, mucolítico, anti-infeccioso, digestivo...

Traz foco, clareza mental. É considerado o óleo da concentração. Ajuda em momentos de letargia ou fadiga mental, por exemplo. Útil em dores de cabeça e enxaquecas, dores articulares e musculares. E em momentos de raiva e irritabilidade.

Em geral, é contraindicado para gestantes, lactantes, pessoas com hipertensão e epilepsia, e crianças menores de 07 anos.

Tem dúvidas, entre em contato!! Consulte um aromaterapeuta!

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Thalicia Moralez - @thelicia_moralez_aromaterapia

Virginiana, engenheira e aromaterapeuta (não necessariamente nesta ordem). Proprietária da AromaTHErapia, especializada em psicoaromaterapia dos 13 aromas e sinergias. Meio paranaense, meio baiana. Mãe da Giullia.