Oi solidão materna!

Estou entrando de mansinho. Olá, tem alguém aí? Sou nova por aqui e chego repleta de amor. Prazer, Eu sou a Flávia, mãe do Antônio.  A partir de agora vocês poderão ler os meus textos nesse espaço lindo feito com muita dedicação por uma mãe querida. Babi, muito obrigada por abrir a porta e oferecer uma cadeira aconchegante para eu me sentar e escrever a respeito da minha maternidade. Gratidão. 

Separa um tempo que eu preciso conversar com você. Coloca o bebê no carrinho, fica mais um pouco sentada na privada, dê mais uma volta no parque enquanto faz o banho de sol, passe o bebê para arrotar no colo do marido ou coloque ele no sling.

Respira fundo. Pronta? 

Hoje vamos conversar sobre solidão materna. Aquele sentimento que faz o mundo girar no mesmo segundo em você assiste tudo sentada na sua poltrona de amamentação segurando junto ao seu peito o maior amor que sentiu na vida. Enquanto todos seguem seus compromissos você continua ali, com o mesmo pijama e o cabelo sem lavar aguardando que suas perguntas tenham todas as respostas que anseia. O relógio corre e a sensação de que tudo ao seu redor está congelado te acompanha. Não importa quantas mãos estão estendidas na sua direção, a solidão materna não bate na porta, ela entra, agarra seu coração, ocupa seu espaço, pega uma xícara de café e permanece ao seu lado. 

Quando engravidei não fazia ideia que uma tal de solidão materna iria fazer morada em meu lar. E como dói. Todo dia ela chegava na minha cama assim que eu abria os olhos e com um olhar fixo me dava o meu primeiro bom dia. Foi difícil entender o que estava acontecendo, a única certeza era que, como qualquer visita,  uma hora a solidão materna iria partir seguindo o seu rumo. Eu só precisava refletir e encontrar uma saída para aquele sentimento que, assim como minhas calças jeans, apertavam meu corpo roubando meu fôlego. 

Entrei na maternidade Flávia e sai Flávia, a mãe do Antônio. E quem é essa mulher? O que ela gosta? Ela é forte o bastante? Como sobrevive? Me olhava no espelho e pensava: “ O que eu vou fazer com você, hein?”. Convivi anos com uma Flávia a qual conheço cada detalhe e quando me dei conta não fazia a mínima ideia de quem eu havia me tornado. Hoje, posso dizer que me conheço um pouco, existe muita estrada me esperando logo a frente. 

 Eu não dei a luz apenas ao Antônio, quando ele nasceu eu renasci junto. Precisava conhecer meu bebê e a mim mesma no mesmo momento. Estávamos tão próximos que muitas vezes me senti parte dele como um único indivíduo. Somos dois mas a sensação de que habitávamos um único corpo confundia a minha cabeça. 

Nós mulheres já nascemos com a capacidade aflorada de conseguir rebolar o obstáculo, dar cambalhota, cair e levantar plena no salto 12. 

Foi exatamente o que eu fiz. Ok. Eu rebolei, dei cambalhota, cai e levantei  plena mas de chinelo Havaianas, coque no cabelo e aquele vestidinho largo do verão de 2016 que estava no fundo do armário. E está tudo certo ser assim. Não tem nada de errado. 

É essa nossa desenvoltura feminina em dar a volta por cima que nos transforma como ser humano e mãe. O novo eu está lá dentro pronto para conquistar o mundo materno, até então, desconhecido  E quantas de nós existem espalhadas por aí? Milhares. O Mães Expatriadas chega para nos unir. Dá um aconchego no coração saber que existe, no mundo, naquele exato momento, uma mãe vivendo o mesmo que você. Quando me dei conta que a solidão materna poderia me aproximar de muitas mães, que assim como eu, sentiam latente no peito o que eu estava vivendo, tudo ficou mais tranquilo, mais leve, uma boa brisa de ar entrou em casa e, finalmente, respirei aliviada. 

Procurei  pessoas que me entendiam e trouxe para o meu dia a dia muitas dessas vidas. A solidão materna me entregou amigas na palma da mão e tornou ainda mais forte os laços já existentes. Mulheres, mães que abraçam mesmo estando há quilômetros e quilômetros de distância. Pessoas que irei escrever nas páginas de um livro muito especial, o meu livro,  e que já são parte de um caminho incrível. 

Obrigada solidão por me fazer completa. 

Se você está passando por esse momento tão delicado, compartilhe, fale e escute, procure por pessoas que estão no mesmo sentido da sua estrada.  Esteja aberta e passe a observar o que acontece ao seu redor. Muitas dessas pessoas irão  ajudar com palavras e muito carinho. Filtre, guarde no bolso o que te acrescenta e permita que os conselhos a mais  vão embora com o vento. Muitas vezes estamos tão introspectivas nos nossos problemas que olhamos apenas para baixo. Levante seus olhos, você consegue. Mesmo quando não acreditar mais em si mesma saiba que eu, aqui de longe, te escrevo pois acredito em você.  

Com amor 

Flávia - mãe do Antônio

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Flávia Armayones - @flaviaarmayones

A mãe do Antônio, e também..
Sou jornalista, instrumentadora cirúrgica, designer, empresária, conselheira das amigas, detesto cozinhar, me convida pra jantar na sua casa, eu levo o vinho e sou excelente ouvinte. Aquela que faz você se sentir abraçada através das palavras. Pega uma xícara de chá, senta aqui comigo que eu quero te escutar.